17/11/2015
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Uma tragédia inestimável
Por Júlio Delgado

Chico Ferreira   
 

A tragédia de Mariana rendeu, até o momento, R$ 250 milhões em multas para a mineradora Samarco em consequência dos danos provocados pelo rompimento das barragens de Fundão e Santarém na última semana. Essa foi apenas a primeira punição imposta aos causadores do maior desastre ambiental da história de Minas Gerais, e talvez do Brasil. Outras sanções financeiras devem ser aplicadas à empresa e aos seus controladores. Na verdade, entretanto, os prejuízos são incalculáveis; e algumas perdas, impagáveis.

O rastro de destruição deixado pelo acidente não pode ser medido em números. Sob o mar de lama que avançou sobre Bento Rodrigues e atingiu um dos principais rios da região ficaram vidas, foram soterrados sonhos e conquistas de centenas de pessoas. Os prejuízos materiais são uma parte dessa catástrofe que abalou todo o povo mineiro e comoveu o Brasil. Dessa forma, as penas aos responsáveis devem ser severas e exemplares, para que sirvam como parâmetro e evitem que outros episódios como esse se repitam no futuro.

Paralelamente aos trabalhos de apuração sobre os motivos e falhas que levaram a esse desfecho absolutamente lamentável, temos outro desafio importante, que é a retomada da vida das centenas de desabrigados e das famílias em luto, além de oferecer soluções rápidas às milhares de pessoas afetadas. Além de Mariana, cidades importantes, como Governador Valadares, em Minas Gerais, e Colatina, no Espírito Santo, poderão ter seu futuro comprometido pela tragédia em função da contaminação do rio Doce. Os efeitos do desastre serão sentidos no longo prazo – certamente haverá grande impacto econômico nas regiões mais prejudicadas e a atuação do poder público será essencial para minimizar o sofrimento da população.

Parlamentares dos dois estados atingidos já se mobilizaram na Câmara dos Deputados e criamos uma comissão externa para acompanhar e monitorar os desdobramentos do caso. Além de visitar os municípios envolvidos, na próxima semana vamos realizar uma audiência pública em Belo Horizonte para debater a situação. As prioridades, neste momento, são o atendimento às vítimas e medidas para agilizar a recuperação das áreas prejudicadas. Também vamos trabalhar na investigação das causas e em ações para impedir novas tragédias como essa.

Superação é a palavra que deve nortear e conduzir nossas atitudes nesse processo. Ainda que extremamente comovidos e sensibilizados pelo ocorrido, precisamos seguir em frente com a força e a coragem tradicionais do povo brasileiro. Estamos diante de um fato que causa revolta e indignação porque esse drama poderia ter sido evitado, mas em homenagem às vidas perdidas e ao patrimônio sentimental soterrado na lama tóxica da mineradora, não tenho dúvidas de que nossas capacidades vão prevalecer sobre esse triste acontecimento gerado pela irresponsabilidade de alguns.

Espero que a tragédia de Mariana seja ao menos assimilada como um sonoro alerta pelos agentes públicos e lideranças das instituições privadas do país. Também que as punições tenham reflexos profundos na prevenção e sejam minimamente condizentes com os inestimáveis prejuízos provocados pelo acidente. Esse é o meu objetivo.

 

 
 
 
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