19/10/2018
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Um Voto pela Democracia
Por João Campos

Humberto Pradera   
 

Eu te entendo. Entendo as suas angústias, frustrações e decepções. Entendo o sentimento de descrença num país que, por muito tempo, foi motivo de orgulho. Eu entendo a desesperança nos políticos e na política. E até entendo quando se diz que nada no Brasil está certo e que apenas uma mudança radical pode solucionar os nossos problemas. Mas, permita-me discordar.
 
Precisamos olhar para trás e enxergar além dos erros. Somos uma democracia jovem, construída a várias mãos por diferentes correntes ideológicas. Derrotamos o fantasma da hiperinflação, avançamos nas conquistas sociais e enfrentamos crises nacionais e internacionais sem precisar abrir mão de nenhum fundamento do nosso Estado democrático de direito, marcado no primeiro artigo da nossa constituição: a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo político.
 
Evoluímos muito na política também, fortalecemos a participação popular e os órgãos de controle, criamos a lei de responsabilidade fiscal, a lei da ficha limpa e a lei anticorrupção, e tantos outros mecanismos que verdadeiramente combatem a corrupção e o mau uso do dinheiro público. Diversificamos os canais de diálogo com a população, nossos representantes estão vindo dos mais diversos segmentos. E, mais do que nunca, precisamos ter maturidade para entender o que nos trouxe até aqui. Não foram discursos demagógicos ou salvadores da pátria, não foram homens ou mulheres perfeitas, mas sim a democracia e o fortalecimento das instituições democráticas.
 
Quantos anos de luta pelo reconhecimento do Nordeste, pela força do nosso povo? Há quantos anos o mundo luta pela igualdade de gênero? Quantas barreiras tivemos que superar no combate a todas as formas de preconceito? São passos lentos, talvez, mas sempre avante como a construção de um castelo de cartas. O risco é que, pela avidez de mudança, com um breve toque, tudo desmorone.
 
“Vamos fuzilar a petralhada do Acre” ou “eu sou favorável à tortura” são não somente frases infelizes, mas afrontas aos fundamentos do nosso país. Como acreditar que o “outsider” que vai solucionar nossos problemas é um deputado federal com 28 anos de mandato que quase nada fez para melhorar nosso país? Como esse mesmo parlamentar, que nunca apresentou sequer uma proposta de lei visando combater a corrupção ou melhorar a qualidade do gasto público, diz ser a fórmula mágica para acabar com a corrupção e os privilégios?
 
Agora, sei que não falo apenas por mim, mas carrego comigo a responsabilidade de quase meio milhão de pernambucanos que confiaram em mim para representá-los no Congresso Nacional. Carrego comigo também o compromisso com a história de homens como Miguel Arraes e Eduardo Campos. E reconheço que tenho divergências com o Partido dos Trabalhadores, como tiveram Arraes e Eduardo antes de mim. Um partido cujo, talvez, o maior erro tenha sido, por vezes, não reconhecer que cometeu erros. Mas agora o que está em jogo não são as nossas divergências. O que está em jogo é o Brasil que sonhamos: “No dia em que o filho do pobre e do rico, do político e do cidadão, do empresário e do trabalhador estudarem na mesma escola, nesse dia o Brasil será o país que queremos”, como defendia o meu pai, Eduardo Campos.
 
Não vejo outro caminho para chegarmos a esse Brasil, senão o da democracia, o da luta contra as desigualdades, o caminho de Fernando Haddad. Penso que, se o eleitor brasileiro observar os dois candidatos, verá qual dos dois aponta para o país que queremos construir. Qual dos dois tem perfil para unir e pacificar o Brasil? Quem entre eles tem condições de liderar um período de paz e de busca do entendimento, sem intolerâncias e radicalismos? Qual dos dois, por experiência, formação e vocação tem mais condições de recolocar a economia brasileira em movimento ascendente, para que voltemos a gerar emprego e renda, saindo dessa crise que já se prolonga há tanto tempo?
 
Confio no ministro do ProUni, da interiorização das universidades, do avanço do ensino técnico. Confio naqueles que tiraram a transposição do rio São Francisco do papel, construíram mais de 1 milhão de cisternas e lutaram pelo Bolsa Família. Contarão com o apoio programático meu e do PSB para fazer um governo olhando sempre para os que mais precisam, lutando pela igualdade de oportunidade e pela justiça social. Por isso, faço das palavras de São João Paulo II para Dom Hélder Câmara as minhas palavras para Haddad nesse momento: “irmão dos pobres, meu irmão”.

João Campos é engenheiro civil e deputado federal eleito pelo PSB-PE

 
 
 
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