08/05/2019
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Ettore
Por Tadeu Alencar

   
 

Quando voltei de Brasília, onde me encontrava há quatro anos, tomado pelo fascínio do cerrado, para trabalhar no governo de Eduardo Campos como Procurador Geral do Estado, em janeiro de 2007, uma das benfazejas surpresas foi conhecer Ettore Labanca. Procurador do Estado aposentado, ex-deputado estadual, ex-Prefeito de São Lourenço da Mata e, àquela altura, Secretário Executivo da Casa Civil procurou-me, com outros seus companheiros, para expor questões de interesse da sua carreira, justamente reconhecidas pelo então governador ao longo do seu primeiro mandato. Impressionou-me vivamente aquele homem que em tudo carregava o estilo, o temperamento vulcânico, a genética, a simpatia e a elegância da Itália-mãe de onde vieram seus antepassados. Vi depois que aquele sangue revolto lhe corria nas veias, sem jamais tisnar os gestos de carinho que reservava a quem queria bem. Era um lorde dos trópicos. Fiel aos amigos era passional nos afetos. Merecedor de todas as arguições de suspeição, porque jamais seria neutro, anêmico nas opiniões. Era um fazedor de amigos. Como um calabrês indomável, falava e gesticulava com energia e, exímio beletrista, transbordava uma exuberância que fazia corar os tímidos, calar os tolos e afugentar os atrevidos, que temiam a sua verve cortante, e, muito mais, o seu coração generoso, pois isso o tornava irresistível. Era um homem bom - cabelos pretos escorridos, lançados para trás pela mão inquieta -, com uma valentia em estado bruto, que transformava numa usina de celebração à amizade e à lealdade política. Tal como Ronaldo Cunha Lima, acreditava que a largura é que é o metro com que se mede a vida. A primeira vez que me convidou à sua casa a desfrutar o privilégio daquelas alpendradas viradas para esguias palmeiras senti que o poder frequentava as suas caçarolas, que pilotava com rara maestria, uma farofa de manteiga com que dobrava qualquer mau humor, carneiros e codornas que jamais voltarei a ver pela frente. Foram sábados e domingos memoráveis, em que a política de Pernambuco, de diversos matizes, além de jornalistas, empresários, artistas, espalhavam-se em suas cadeiras de balanço diante das quais a história desfilava, ora como remissão histórica, ora como estratégia na feitura dos mapas de navegação. Reúne-se agora aos que lhe foram fiéis escudeiros, Romeu e Cali, que com ele formaram um trio imbatível. E deixou uma forte presença entre os pobres da sua cidade, que prantearam a sua partida. O italiano se foi, num bonde que mergulhou nas nuvens. Deixa uma saudade incômoda. Eu me pergunto: vale à pena? E ouço o sorriso e a voz do meu amigo, cúmplice: sim, vale à pena!
             

* Publicado originalmente no Jornal do Commercio do Recife.

 
 
 
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