31/03/2020
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O amor nos tempos da cólera
Por Tadeu Alencar PSB/PE

Sérgio Francês   
 

O amor nos tempos da cólera

Seremos diferentes depois, mas diferentes já estamos agora. A consciência da gravidade do flagelo que se abateu sobre a humanidade levou-nos ao recolhimento que a vida moderna há muito parecera abolir. Isso deve ter lá o seu impacto. Saberemos agora e saberemos depois. Nada como apalpar as rugas diante do espelho, com tempo de perceber o quanto elas se alastram.

Num mundo da instantaneidade e de fraticidas disputas, a luta pela sobrevivência obriga a um estado de permanente peleja, a uma luta intestina por um lugar ao sol. Isto relegou ao esquecimento a magia de cozinhar em fogo brando, como receita para desabrochar o sabor de todas as coisas. Uma freada brusca nos obrigou a uma mudança radical de hábitos: ficar em casa, de portas abertas, sem poder sair, como o Anjo Exterminador de Buñuel. A tragédia coletiva: sem poder ir ao escritório, ao comércio, aos mercados, às igrejas, às escolas, às praças, aos bistrôs, ao futebol. Ter que renunciar ao cinema e esquecer o teatro, fechadas que foram as suas portas, embora ainda antes desse vírus maldito, o vírus do obscurantismo já o viesse escandalosamente tentando. Tivemos que reaprender tudo. Trabalhar, comer, estudar, lavar, passar, cerzir. Tivemos que aprender a rezar e a dormir, vendo suspensas, em sua vigência jamais interrompida, as cláusulas matrimoniais. E não é ficar em casa, em família, em ritos de celebração, que são fundamentais para a arquitetura da afetividade e que não implicariam em qualquer espécie de cerceamento. Falo de segregação, de confinamento, aprisionado em sua própria casa, como um estrangeiro. Sem poder tocar mãos que, amorosamente, sempre se tocam; sem poder abraçar quem lhe ensinou a abraçar, sem reservas, cúmplice; sem receber os próprios filhos e, em os recebendo, sem poder toca-los com efusão, e até, sem qualquer efusão; sem poder sequer visitar os patriarcas e, os visitando, sem segredar-lhes coisas, que uma existência inteira não exaure o que se tem a dizer, a quem queremos bem. Eu mesmo estou – já uma semana – recolhido em Aldeia, guardando os cuidados de quem labora em contaminadas terras. Estamos diferentes agora. Estaremos mais depois. E tudo isso só acontece em nome do amor. Pelos amigos, pela família, pelos brasileiros, pela humanidade. Não estamos tendo que reaprender tudo por capricho, mas por responsabilidade. É o amor que nos move. Decerto o amor em tempos de corona-vírus, mas mórbido, letal, mas tempos de amor. Mesmo que no tempo da cólera. Oxalá a fé de um Florentino Ariza tomado de amor por Fermina Daza, em mais de meio século, possa iluminar o Brasil.

 
 
 
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