01/06/2020
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Ataques à imprensa: não podemos nos calar
Por Elias Vaz

Sérgio Francês   
 

* Artigo publicado originalmente no Blog Fausto Macedo - Estadão em 1º de junho de 2020

O dia 1º de junho é uma data para render homenagens aos profissionais da imprensa, mas, acima de tudo, de profunda reflexão sobre o tratamento que vem sendo dispensado a esses trabalhadores.

O relatório de 2019 da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), publicado em janeiro deste ano, traz dados estarrecedores. No ano passado, o número de ataques a veículos de comunicação e a jornalistas chegou a 208, aumento de 54,07% em relação a 2018, quando foram registradas 135 ocorrências.

Os ataques a jornalistas e meios de comunicação não se tratam de crimes simples, cotidianos do dia a dia policial e forense. São repletos de mensagens subliminares, uma vez que representam ataques à própria democracia, à liberdade de expressão e pensamento, ao direito de informação, à transparência, enfim, a vários conceitos que acabam por ferir de morte princípios de nossa Constituição democrática.

É sabido que, quando se balança um poste, o que se deseja é apagar a lâmpada. O jornalismo sério é quem joga luzes sobre os negócios escusos do poder público, desnuda os corruptos, valoriza o trabalho dos poderes constituídos, dá voz a quem não tem, informa os incautos e desavisados, dissemina a informação e, assim, contribui para a construção de uma sociedade mais crítica, mais justa, mais humana.

Não se pode admitir que, em pleno século 21, ainda tenhamos que conviver com assassinato de jornalistas no exercício da profissão; com agressões físicas em coberturas jornalísticas para que não seja exposto em público aquilo que não se tem vergonha de fazer no privado; que agressões verbais e virtuais sejam proferidas por pessoas absolutamente desequilibradas e moralmente suspeitas; que ameaças e intimidações de autoridades públicas sejam toleradas; que censuras à atividade e ao conteúdo sejam realizadas e ameaças de ações judiciais sejam proferidas como cerceamento da liberdade de imprensa; que a tentativa de descredibilização seja tomada como instrumento de incitação de uma parcela fanática e violenta, incapaz de conviver com as diferenças e contraditórios.

O poema No caminho com Maiakóvski, do brasileiro Eduardo Alves da Costa, escrito em 1964 como manifestação de revolta à intolerância e violência impostas pela ditadura militar, em um de seus trechos diz o seguinte: “Nos dias que correm a ninguém é dado repousar a cabeça alheio ao terror (…) A mim, quase me arrastam pela gola do paletó à porta do templo e me pedem que aguarde até que a Democracia se digne a aparecer no balcão”.

Talvez não haja muitos motivos para comemorar nesse 1º de junho quando a violência e a intolerância circundam as instituições democráticas; porém há muito a agradecer a uma imprensa livre, independente e corajosa, disposta a garantir um estado democrático de direito.

 
 
 
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