10/08/2020
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Brasil seria outro se Eduardo Campos ainda estivesse aqui
Por João Campos

   
 

Publicado originalmente na Folha de S.Paulo de 09/08/2020.

 

Celebramos nesta segunda-feira (10) os 55 anos de nascimento do governador de Pernambuco Eduardo Campos (1965-2014). Só de pensar nele já sinto uma saudade do futuro, uma falta do que poderia ter sido e não foi. Permitam-me fazer um exercício imaginativo: se aqui ele estivesse, o Brasil seria outro.

Nunca tive dúvida de que Eduardo teria ganhado a eleição presidencial de 2014. Assim, faria algo que ainda está em falta no país: pacificaria a política em torno de um projeto de desenvolvimento e inclusão, respeitando as diferenças existentes em nossa nação.

Eduardo sabia o caminho para alcançar esse objetivo. Ele tinha o olhar atento e sensível para perceber a oportunidade do bônus demográfico brasileiro —isto é, via o Brasil com uma população jovem e capaz de construir melhorias.

Em eventos e reuniões políticas, convidava a juventude a participar do processo de construção da sociedade. Sempre lembrava: a mobilização dos jovens foi importante em todas as grandes movimentações, desde a redemocratização, com os grandes comícios das Diretas Já, até o embate pelo impeachment de Fernando Collor, no qual tiveram papel destacado os caras pintadas.

Por um pacto democrático, projetava a boa política, colocando-a como instrumento de transformação da sociedade. Em Pernambuco, mostrou na prática como realizar as tais ações.

Uniu as diversas forças políticas para fazer a educação pernambucana sair da 21ª colocação para a 1ª no ranking nacional do Ideb do Ensino Médio. Lembro-me de nossa emoção quando esse resultado foi anunciado. Como poucos, Eduardo tirou a educação do discurso e fez virar realidade.

Da mesma forma, o crescimento econômico, associado à inclusão, era constatado em todas as áreas de Pernambuco: recursos hídricos, saúde, segurança e tantas outras.

A realidade local foi mudada com programas como o Pacto pela Vida (reduziu a taxa de homicídios de forma histórica) e o Mãe Coruja (combateu a mortalidade infantil e foi premiado pela ONU como referência internacional). Depois de 40 anos sem um grande hospital construído, Pernambuco ganhou mais de seis unidades, descentralizando o atendimento da saúde como um todo.

Para além dos dados do monitoramento e do reconhecimento nacional, as pessoas demonstravam satisfação e apoiavam fortemente as ações do governo. Eduardo era o governador mais popular do país, com aprovação passando dos 80%. A população sempre foi o nosso maior aliado.

Lamentavelmente, uma tragédia encurtou a vida de Eduardo, amputando prováveis décadas e décadas que teria pela frente. Como diria o poeta, diante da lacuna tão grande, Eduardo viveu o espaço de uma manhã.

Foi intenso e marcante em suas realizações, porém faltava muita coisa para completar o ciclo inteiro de um dia, para anoitecer e dormir em paz. Sem dúvida, o Brasil perdeu uma das figuras públicas mais proeminentes da política.

Fica a reflexão: já que ele não está aqui, cabe a nós, os que respeitavam e acreditavam no Brasil idealizado por Eduardo, homenageá-lo fazendo o que ele teria feito. Seremos ponte, e não muro.
Vamos construir um país melhor unindo brasileiras e brasileiros em uma cantilena única: combater a desigualdade social, criando uma nação mais justa, fraterna e democrática. 

 
 
 
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