10/06/2015
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CPI da Violência Contra Jovens Negros ouve representantes do DF

Sérgio Francês/Lid PSB   
Pastor Eurico criticou forma que a mídia trata morte de policiais
 

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Violência Contra Jovens Negros e Pobres ouviu, nesta terça-feira (9), representantes de órgãos da Segurança Pública do Distrito Federal (DF). O deputado Pastor Eurico (PSB-PE) participou da reunião e criticou o tratamento diferenciado dado pela mídia às mortes de policiais.

“Quando alguém morre em confronto com a polícia, a imprensa faz um alarde gigantesco. Quando morre um policial, não se vê nada na imprensa”. Sobre os assassinatos de jovens negros na periferia do DF, o deputado disse que não se pode esperar que morram mais brancos onde a maioria é negra. “Não é porque é negro que é bandido”, completou o socialista.

Durante a audiência, o secretário de Segurança Pública do DF, Artur Trindade, defendeu um pacto federal de combate à violência. “Se a unificação das forças de segurança não é possível, a integração é uma necessidade. O enfrentamento depende de políticas tanto na área de segurança, de maneira mais reativa, quanto na área de prevenção ao crime, com investimentos sociais em educação, saúde e bem estar. Nenhuma sociedade conseguiu reduzir suas taxas de homicídio atuando em apenas uma dessas frentes”, disse.

Diretor da Polícia Civil do Distrito Federal, Eric Seba de Castro destacou que as pessoas estão matando por qualquer coisa. Para ele, falta investimento em ensino básico e técnico para os jovens, além de apoio no enfrentamento a questões sociais, como a dependência química e o tráfico de drogas. “Se não for assim, nós da segurança pública continuaremos sendo aparadores de tudo o que não deu certo na sociedade.”

O presidente da CPI, deputado Reginaldo Lopes, (PT-MG), afirmou que a comissão vai ouvir, ao todo, representantes dos seis estados com os menores e os seis estados com os maiores índices de homicídios. Na semana passada, foi a vez de Pernambuco.

Homicídios – Em relação ao caso específico do DF, Trindade disse que a taxa de homicídios é alta e estável há mais de 20 anos – 24 para cada 100 mil habitantes. A peculiaridade, entretanto, está no fato de que, no DF, os homicídios são parte de um fenômeno que junta questões geográficas e raciais. “Um elemento muito importante é que essas mortes se concentram em alguns bairros e vitimam principalmente a população jovem negra”, disse Trindade. “Oito áreas administrativas do DF somam 202 bairros, e 22 deles respondem por 70% das mortes.”

Trindade disse ainda que o desempenho das policias na investigação de homicídios ainda é baixo. “Não se deixa de investigar porque é branco ou negro. Mas alguns bairros concentram homicídios e não necessariamente concentram o empenho em investigar e resolver esses homicídios”, ressaltou. Ele informou que na região do entorno de Brasília a taxa de elucidação de homicídios não ultrapassa 8%.

Com informações da Agência Câmara
 
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