13/12/2017
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Deputados socialistas criticam política de reajuste de preço dos combustíveis

Chico Ferreira   
População cobra solução para reajustes por meio de assinaturas
 

Os constantes reajustes no preço dos combustíveis foram alvos de críticas de deputados socialistas e representantes de entidades ligadas ao setor de transporte no País. A pedido dos socialistas Tenente Lúcio (MG) e Leopoldo Meyer (PR), a Comissão de Desenvolvimento Urbano tratou do tema, nesta quarta-feira (13). Na ocasião, deputados e especialistas manifestaram preocupação com uma possível paralização dos caminhoneiros diante da realidade atual de preços. 

Desde julho, a Petrobras mudou a política adotada e os preços da gasolina e do diesel passaram a ser alterados constantemente. Segundo a estatal, a ideia é repassar com mais frequência as flutuações do câmbio do petróleo, em sintonia com a variação das cotações do mercado internacional. O gás de cozinha também entrou para a lista de vilões que afetam diretamente a renda da população, especialmente das famílias mais pobres.   

Tenente Lúcio lamentou a ausência de representantes do Governo Federal, especialmente da esfera do Ministério da Fazenda e da Agência Nacional do Petróleo. “Contávamos com a presença direta do Governo neste debate, que é importante para que a população tenha conhecimento do que está acontecendo e do que pode vir daqui para a frente”, explicou.

Indignado com a situação do País e com a política praticada pelo atual governo, o deputado Danilo Cabral (PSB-PE) criticou a excessiva valorização do mercado, em detrimento às necessidades da população.  “Não é razoável que toda decisão tomada tenha como prioridade atender ao mercado. Como fica a vida de mais de 15 milhões de pessoas que não têm emprego. Onde ficam os direitos do trabalhador”, questionou. Ainda segundo ele, a política adotada pelo Governo penaliza principalmente a população mais carente. “O povo tem direito também, não só o dever de pagar a conta. Ele precisa receber de volta em serviço público de qualidade.”

Para Cabral, o tema em questão deve ser uma das prioridades de debate no Congresso Nacional, por ser, segundo ele, a agenda mais sintonizada com a população. “O assunto é tão grave que deveríamos colocar na discussão toda a política energética nacional. Precisamos trazer a sociedade para esse debate, que sofre as consequências de decisões que envolvem o setor. Olha o que está acontecendo com o gás de cozinha, com um aumento de 67%. A soma mensal dos gastos com gás e energia representa 6,5 % do orçamento de 50 milhões de brasileiros que ganham até 2,5 salários mínimos.”

Ainda durante o debate, o deputado Luiz Lauro (PSB-SP) entregou, simbolicamente, ao socialista Tenente Lúcio documento que representa mais de 73 mil assinaturas de brasileiros que cobram atenção e soluções para a questão dos combustíveis no País. O parlamentar afirmou ser este um assunto de grande impacto na vida de toda a população.  “Os reajustes podem ser sentidos em todas as esferas, já que todo o custo da logística de produção e escoamento está inserido nas mercadorias. Daí a importância desse assunto”, enfatizou o parlamentar.

Diretamente afetado pela oscilação do mercado nessa questão, o setor de transporte acumula prejuízos. O representante da Confederação Nacional dos Transportes, Ari Rabaiolli, defendeu a mudança na política de reajuste. “A política de reajuste dos combustíveis tem nos prejudicado demais. Temos contratos que determinam aumento da tabela de fretes na medida em que se tenha reajuste do diesel. É humanamente impossível fazer isso quase que diariamente. Da forma que está, o prejuízo está com os transportadores.” Vale lembrar que, no Brasil, mais de 60% das mercadorias são transportadas por caminhões e, segundo entidades ligadas ao setor, o combustível representa 40% do custo de um frete.

Repasse – O presidente da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes, Paulo Miranda Soares, afirmou que a elevada carga tributária é o que mais pesa no bolso do consumidor. “Os consumidores têm razão de reclamar, mas eles precisam saber que, de cada R$ 150 pagos na gasolina, por exemplo, R$ 75 vão para tributos e taxas federais e estaduais. Esse é um dos maiores influenciadores do aumento”, garantiu.

Ainda segundo Miranda, muitas vezes, os postos não recebem a baixa de preços anunciada. “Compramos o combustível pelo valor estabelecido pelas distribuidoras, que aumentam os preços sempre que a Petrobras reajusta o valor, mas nem sempre têm a mesma rapidez quando a petroleira reduz o custo dos combustíveis”, explicou.

Tatyana Vendramini
 
     
 
     
 
       
 
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