04/04/2019
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Socialistas criticam proposta da Reforma da Previdência durante audiência com ministro

Chico Ferreira   
 

Deputados socialistas fizeram duras críticas ao ministro da Economia, Paulo Guedes, em relação à proposta de Reforma da Previdência encaminhada pelo Governo. O chefe da Pasta esteve presente na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, nesta quarta-feira (3), para prestar esclarecimentos sobre o texto em discussão.

Líder do PSB na Câmara, Tadeu Alencar (PE), reconheceu a necessidade de mudanças no sistema previdenciário brasileiro, mas refutou a ideia de uma proposta que seja prejudicial à classe mais vulnerável da sociedade. “É muito importante que tenhamos uma contribuição efetiva de todos os segmentos sociais. Queremos discutir outras matérias, no âmbito da reforma tributária, progressividade do sistema, tributação de lucros e dividendos, recuperação de créditos públicos, programas de perdão de dívidas. Então, queremos que os ônus dessa reforma recaiam sobre todos.”

Para o líder da Oposição na Câmara, Alessandro Molon (PSB-RJ), a Reforma da Previdência apresentada pelo Governo entrega cada um à própria sorte. “O senhor, ministro Paulo Guedes, está destruindo os pilares da previdência social brasileira com essa proposta. Entrega cada um à própria sorte ou azar. E fazer isso com quem ganha pouco é uma injustiça sem tamanho.” O socialista criticou o sistema de capitalização defendido pelo ministro. “Esse sistema que o senhor quer que o Brasil adote está levando os idosos no Chile ao suicídio.”

O sistema de capitalização da Previdência Social é um dos pontos mais criticados da proposta. A capitalização é uma espécie de poupança que o trabalhador faz para garantir a aposentadoria no futuro, na qual o dinheiro é investido individualmente. O modelo atual é o de repartição, no qual quem contribui paga os benefícios de quem já está aposentado. A ideia é que a capitalização substitua gradualmente o sistema em vigor.

Júlio Delgado (PSB-MG) lembrou que dos 30 países onde valia a capitalização defendida pelo Governo, 18 já reverteram total ou parcialmente a privatização da sua Previdência Social. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho, entre outros graves problemas, sistemas como esse aumentam a desigualdade de gênero e de renda, beneficiando, com as poupanças dos trabalhadores, o sistema financeiro. Delgado também criticou a proposta de reforma das forças armadas. “A proposta veio tratando mais da reestruturação da carreira. Foi cumprido apenas um procedimento protocolar e mandaram para o Congresso uma reforma vazia”, afirmou.

Na mesma linha de discussão apresentada pelo líder Tadeu Alencar, o deputado Luiz Flávio Gomes (PSB-SP) criticou o erro grave de estratégia do Governo Federal ao apresentar um texto da Reforma da Previdência que busca corrigir erros de gestão que são, neste momento, periféricos. Na visão do parlamentar, existem gastos públicos excessivos que precisam ser atacados de forma mais urgente, entre eles, a sonegação fiscal que gera um rombo de R$ 500 bilhões por ano; a informalidade que sonega R$ 1 trilhão por ano; os paraísos fiscais com R$ 100 bilhões por ano. "Combater privilegiados não é combater quem está no oitavo, nono andar, é combater quem está na cobertura. E na cobertura tem gente podre de rica que não paga o INSS", sinalizou.

O deputado João Campos (PSB-PE) convidou o ministro a conhecer o que chamou, em referência a Ariano Suassuna, de Brasil real para entender que a mudança do sistema da Previdência prejudica muito a população mais sofrida do País. “Estamos dispostos a discuti-la, mas não podemos aceitar uma reforma draconiana com o povo como essa. Esse modelo, se implementado, vai complicar e muito a vida do povo nordestino.”

 

Tatyana Vendramini
 
     
 
     
 
       
 
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