30/10/2019
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Na CPMI das Fake News, Frota afirma haver milicianos digitais dentro do gabinete presidencial

Sérgio Francês   
 

A Comissão Parlamentar de Inquérito das Fake News ouviu, nesta quarta-feira (30), o deputado federal Alexandre Frota (PSDB-SP). O parlamentar afirmou que existe uma milícia ideológica digital que estimula ódio por meio das fake news. Frota acrescentou que há milicianos digitais travestidos de assessores que trabalharam na campanha presidencial e foram contratados para o gabinete presidencial.
 
O deputado entregou documentos, fotos e revelou nomes que embasaram suas denúncias. Frota entregou ainda um dossiê com ataques ao vice-presidente da República, Hamilton Mourão, que partiram do que chamou de milícias virtuais. As eleições de 2018 foram marcadas pelo grande volume de envio de fake news por meio de redes sociais e aplicativos de conversas, como whatsapp e telegram, que pode ter influenciado no resultado das eleições.
 
A relatora da CPMI, deputada Lídice da Mata (PSB-BA), fez uma série de questionamentos ao deputado Alexandre Frota. A deputada perguntou se é de conhecimento do parlamentar as afirmações noticiadas pela revista Crusoé de que existe um bunker do ódio dentro do Governo Federal, pago com recursos públicos salariais para esse fim. Lídice também quis saber se empresários financiaram equipes de notícias fraudulentas durante a campanha do presidente Bolsonaro. “É possível afirmar que a milícia bolsonarista eletrônica foi responsável pela produção e disseminação das notícias falsas durante a eleição? E como se deu esse financiamento?” 
 
A socialista lembrou que a Lei Eleitoral Brasileira proíbe que candidatos ou partidos políticos recebam dinheiro de entidades estrangeiras, contudo há notícias da participação de grupos internacionais na campanha de candidatos conservadores em todo o mundo, inclusive na campanha de Jair Bolsonaro. “Diferente do que alguns podem imaginar, a CPMI foi feita com a intenção clara de investigar se as fake news interferiram no processo eleitoral e as ameaças deste fenômeno a democracia, inclusive com ataques as instituições. Por essa razão todos os documentos entregues e informações fornecidas vão embasar o trabalho do colegiado”, informou a relatora. 
 
Alexandre Frota afirmou que participou de almoço com Jair Bolsonaro, e seus filhos Carlos e Eduardo, durante as eleições. Na ocasião, foram debatidas formas de impulsionamento no facebook e quais empresários poderiam financiar. A casa do empresário Paulo Marinho, no Rio, foi apontada pela imprensa como o QG da campanha de onde as informações falsas eram elaboradas. “Não participei dessa parte da campanha, mas sei que estamos lutando contra uma gangue digital, virtual, que precisa ser investigada”, disse Frota.

Andrea Leal
 
     
 
     
 
       
 
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