30/10/2019
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Oposição defende que investigação da morte de Marielle continue com a polícia do RJ

Sérgio Francês   
 

Os líderes dos partidos de oposição na Câmara dos Deputados solicitaram, nesta quarta-feira (30), que as investigações sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco continuem em curso na Polícia Civil do Rio de Janeiro. O presidente Jair Bolsonaro acionou o ministro da Justiça, Sergio Moro, para que a investigação passasse para a Polícia Federal. A mudança foi pedida após o porteiro do condomínio onde Bolsonaro mora na capital fluminense, ter indicado a sua casa como destino dos suspeitos pela morte da parlamentar.

“Bolsonaro não é dono do Brasil porque ganhou as eleições. Ele precisa respeitar as instituições e o respeito às instituições é fazer com que elas executem as tarefas que constitucionalmente lhes são cometidas”, enfatizou o líder socialista na Câmara, Tadeu Alencar (PSB-PE), ao defender que as investigações continuem nas mãos das autoridades do Estado do Rio de Janeiro, e não sejam deslocadas para a esfera federal.

Para o líder da Oposição, Alessandro Molon (PSB-RJ), as revelações sobre o caso de Marielle e Anderson são de extrema gravidade. Para ele, é necessária total atenção dos responsáveis pelas investigações, para que não ocorra qualquer interferência no trabalho dos investigadores durante as próximas etapas deste inquérito. “Não cabe ao presidente mandar seu ministro da Justiça ouvir uma testemunha do caso”, declarou.

DESCOMPOSTURA - Tadeu Alencar lembrou ainda o caso recente em que Jair Bolsonaro postou um vídeo em suas redes sociais atacando instituições públicas, da sociedade organizada e partidos políticos, atitude que “obrigou o decano do Supremo Tribunal Federal [ministro Celso de Mello] a dizer que o atrevimento do presidente da República parecia não comportar limites e que a compostura, que se exige em função de tamanha relevância, não vem sendo observada”.

O líder socialista criticou, ainda, declarações proferidas pelo filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro, no plenário da Câmara dos Deputados que se constituem em ameaça à democracia. Ao abordar as recentes manifestações no Chile, Eduardo Bolsonaro afirmou que, se houver radicalização no Brasil, “nós vamos ver a história se repetir”, em clara referência ao golpe militar. “A posição do PSB, em linha com os partidos de oposição e de todas as correntes partidárias, é de indignação com o depoimento do deputado Eduardo Bolsonaro que, meses atrás, já havia ameaçado fechar a Suprema Corte brasileira com um cabo e um soldado. E agora, faz uma ameaça explícita, que obviamente é muito grave e merece resposta da sociedade brasileira e dos seus representantes no Congresso Nacional.”

Gustavo Sousa e Moreno Nobre
 
     
 
     
 
       
 
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