26/11/2019
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CPMI das Fake News ouve ex-ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência

Sérgio Francês   
 

O ex-ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência general Carlos Alberto dos Santos Cruz, foi ouvido, nesta terça-feira (26), na CPMI das Fake News. O general foi demitido do Governo Bolsonaro em junho e afirmou, após sua saída, ter sido vítima do que chamou de uma milícia digital ligada ao Palácio do Planalto. Em sua fala no colegiado, o general confirmou ser vítima de notícias falsas, mas disse que não tem como precisar de onde vieram os ataques.

Notícias de diversos veículos de comunicação sugerem que sua demissão se deu em torno da crise entre a ala militar e os apoiadores de Olavo de Carvalho, guru ideológico do presidente e de seus filhos. O general foi atacado nas redes sociais e chegou a ficar no trending topic do twitter com a hastag #ForaSantosCruz. Além disso, uma conversa falsa de whatsapp do ex-ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência, com um interlocutor, em que falava mal do filho do presidente e ainda sugeria um golpe ao presidente Bolsonaro, foi disseminada pela internet durante o período anterior a sua demissão.

A relatora da CPMI, deputada Lídice da Mata (BA), afirmou que existem evidências a respeito de uma organização, com comando político, destinada à produção de fake news. Os ataques são realizados não só por perfis falsos, mas também perfis verdadeiros.

De acordo com a socialista, no caso do general, notícias mostram que os ataques iniciaram pelo autointitulado filósofo Olavo de Carvalho e foram também publicados pelo assessor do Planalto, Filipe Martins. “O senhor afirmou que não pode fazer afirmações sem ter certeza, mas estamos em uma comissão de investigação e o somatório de indícios nos auxiliará a chegar a uma conclusão. Entendo que o senhor não se sinta à vontade para fazer afirmações diante de toda a plateia, mas temos a prerrogativa de realizar reuniões fechadas para ouvir suas suspeitas”, disse Lídice ao general Santos Cruz. A parlamentar complementou que a preocupação é buscar e identificar autores destas práticas para ter a capacidade de puni-los.

Filipe Martins, além de Tércio Tomaz, José Matheus Sales e Mateus Diniz, são repetidamente citados na CPMI como os assessores do Planalto responsáveis pelo conhecido “gabinete do ódio”. Questionado pelos parlamentares presentes sobre a atuação destes assessores, Santos Cruz afirmou que sabe da presença deles no Planalto e que são assessores de confiança do presidente, mas que não tem como afirmar o exato trabalho que exercem.

O general reforçou que só pode falar o que for comprovado, mesmo que tenha fortes indícios, e apresentou sugestões técnicas como a contratação de um serviço especializado para ajudar a CMPI a identificar os autores e origens destas práticas. Para ele, a produção de notícias falsas e ataques cibernéticos resultam na manipulação do debate político, mas fazem parte de grupos extremistas pequenos. Os ataques, segundo Santos Cruz, são ativados por figuras centrais que resultam em linchamentos virtuais de seguidores que se comportam como uma seita.

Andrea Leal
 
     
 
     
 
       
 
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