10/12/2019
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A pedido de Aliel, Comissão realiza seminário sobre a participação da mulher no futebol

Chico Ferreira    
 

Por iniciativa do deputado federal Aliel Machado (PSB-PR), a Comissão do Esporte realizou, nesta terça-feira (10), o Seminário A Mulher no Futebol, com o objetivo de discutir a inserção de mulheres em todas as áreas deste esporte. “O que procuramos aqui é combater injustiças. Para mim, a política é a melhor maneira para isso. E as injustiças se dão por diversos fatores: entre eles a exclusão e o preconceito”, lembrou o socialista. Aliel afirmou que a discussão sobre o futuro do futebol feminino no País é urgente, já que a modalidade cresce no mundo todo, e o Brasil precisa acompanhar essa tendência. 

“Temos trabalhado com dedicação e muito investimento da CBF com recursos importantes e com ações que trazem desenvolvimento desde a base”, justificou Marco Aurélio Cunha, coordenador de seleções femininas da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Segundo ele, ainda não é possível dar os mesmos resultados do futebol masculino que tem mais de 100 anos de vida, mas já foi possível mudar esse momento do futebol feminino. “Antes tínhamos meninas que ganhavam R$ 200 em equipes pequenas, hoje temos atletas indo para o exterior com um salário bem considerável. Quando comecei meu trabalho na CBF haviam três jogadoras fora do Brasil, hoje temos mais de 60 jogadoras no exterior”.

Marco Aurélio destacou a importância do apoio de grandes marcas e de emissoras de televisão. “Jogamos a Copa América, ganhamos sete jogos com uma grande atuação da seleção feminina, o que nos levou para a Copa do Mundo e Olimpíadas, mas não passou um gol em TV nenhuma, aberta ou fechada”, lembrou.

Existe com isso uma outra preocupação: a necessidade de profissionalizar o futebol feminino com contratos seguros para que times do exterior não levem todas as atletas brasileiras. “Temos que entender que futebol feminino é um investimento, não pode ser um problema. O que pretendemos é criar mecanismos para que se profissionalize e encontre caminhos dentro do Brasil e não lá fora”, ressaltou Kleiton Lima, assessor especial da Secretaria Nacional de Futebol e Defesa do Torcedor.

Para Lima, público para o futebol feminino sempre existiu, e, hoje, mais do que nunca, a seleção brasileira alcançou a admiração e o respeito do povo brasileiro, então esse processo que ainda evoca preconceito, é uma barreira a ser superada. Mas, é preciso entender que por muitos anos não houve nenhum desenvolvimento da modalidade no País, pois a mulher foi proibida de jogar futebol no Brasil a partir de um decreto assinado em 1941. “Esse momento que o futebol está resgatando acontece agora, então é um passo de cada vez. O importante é ter a boa vontade e o bom senso das instituições, das federações, de estatais e principalmente do povo brasileiro”, afirmou.

Painéis:

O Seminário contou com quatro painéis: desenvolvimento do Futebol Feminino; Futsal Feminino; Inclusão e Participação da Mulher; e Mulher fora das Quatro Linhas. Sendo o último coordenado pelo deputado Aliel.

Profissionais que trabalham fora do campo foram ouvidas e destacaram a necessidade de se enfrentar o machismo dentro das instituições. A presidente da Comissão Feminina do Supremo Tribunal de Justiça Desportiva, Giseli Amantino, destacou a dificuldade em aumentar a participação feminina dentro dos tribunais. “Dos 27 estados brasileiros e o Distrito Federal, quatro deles não têm comissão feminina dentro do tribunal desportivo. A Federação paulista de futebol não tem nenhuma mulher entre os funcionários e estamos falando de um estado com grandes times de futebol. Esperamos que a representatividade feminina nestes setores cresça. Temos mulheres capacitadas para atuar na área”, acrescentou.

A assessora de comunicação do time Operário Ferroviário de Ponta Grossa, Bianca Machado, lamentou a falta de representatividade femininas nos clubes. A jornalista afirmou ter sido desencorajada por familiares e professores quando decidiu se especializar em jornalismo esportivo, justamente pelos desafios enfrentados por mulheres no setor. A gestora de contratos do futebol de base do clube de regatas Vasco da Gama, Flávia Seifert, afirmou que durante suas especializações na área tinha presença maciça de homens e quase nenhuma mulher. “Percebi ao longo da minha trajetória que estava sempre sendo desafiada por ser mulher. Já passei por situações constrangedoras, mas acredito que estamos avançando nesse sentido. Hoje temos maior participação feminina fora do campo.” Flávia parabenizou o deputado Aliel Machado em abordar a temática.

O parlamentar colocou o colegiado à disposição das expositoras para pensar na criação de leis que reforcem a presença das mulheres no futebol. Aliel é autor de projeto de lei que obriga entidades beneficiadas que fomentam atividades de caráter desportivo a ter a presença de no mínimo 30% de mulheres nos cargos de direção (PL nº 3.856/219). “É por meio de legislação que podemos ajudar a mudar a realidade atual do País onde vemos, por exemplo, a baixíssima participação de mulheres em cargos de gerência de times de futebol”, acrescentou.

O Seminário contou com a participação dos socialistas Vilson da Fetaemg (MG), Alessandro Molon (RJ), Felipe Carreras (PE) e Lídice da Mata (BA).

 

 

Mariana Fernandes e Andrea Leal
 
     
 
     
 
       
 
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