11/12/2019
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Demora nas ações federais de contenção de óleo é destaque em CPI que investiga o vazamento

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Em mais uma audiência pública realizada, nesta quarta-feira (11), pela Comissão Parlamentar de Inquérito que analisa o vazamento de óleo no litoral brasileiro, o relator João Campos (PSB-PE) voltou a questionar as ações tomadas pelos órgãos competentes para que os impactos desse que é maior desastre ambiental da história do litoral brasileiro em extensão fossem minimizados e sanados.

Entre os convidados, a professora do Departamento de Oceanografia da Universidade de São Paulo, Yara Schaeffer Novelli, rechaçou a tese de que o Governo tenha agido no tempo certo e da melhor maneira possível logo no início do episódio, no final de agosto, quando apareceram as primeiras manchas de óleo no litoral. Questionada pelo deputado João Campos sobre a necessidade do sigilo das investigações referentes ao vazamento, decretado pelo Governo Federal, Yara afirmou que tal medida impediu a transparência e a rapidez do alerta para as comunidades costeiras. “O sigilo criou uma bolha de desinformação e de possibilidade de alerta. Alguém deteve a informação, impedindo que outros soubessem. Isso, em um caso desses, é um desastre nacional”, ressaltou.

Na terça-feira (10), membros da CPI ouviram representantes da Marinha do Brasil, Ibama e ANP, órgãos que integram o Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA), responsável pelo acompanhamento de todo e qualquer acidente dessa natureza. Na ocasião, os convidados afirmaram que o desconhecimento da origem do poluente dificulta as ações. O posicionamento apresentado pelos representantes do Governo também foi criticado pela professora Yara Schaeffer Novelli. “O desconhecimento da fonte não impede a ação. Isso é inépcia e um crime contra as pessoas, de deixá-las sem uma qualidade de vida que as compense por tempos e horas muito duras de trabalho ao longo do ciclo de suas vidas", avaliou. 

Dados oficiais do GAA mostram que o óleo atingiu 906 localidades, sendo 127 municípios em 11 estados, num total de 3,6 Km de extensão litorânea. Foram recolhidas cinco mil toneladas de óleo. Derramamento acidental ou intencional, uma operação ship to ship – operacão de transferência de petróleo e seus derivados de um navio para outro – e, numa probabilidade mais baixa, naufrágio de um petroleiro. Essas foram as hipóteses apresentadas pelo GAA para o vazamento e que ainda estão sendo investigadas.

Impacto – Segundo o diretor do Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia. Francisco Kelmo, houve uma redução de quase 66% do número total de animais vivos depois do acidente. “Estamos diante de uma perda real de animais nessa região.” Kelmo também falou da contaminação dos corais, que são, conforme explicou, verdadeiros patrimônios que abrigam, dentro do ambiente marinho, um enorme grupo de animais que dependem deles para sobreviver. O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Ronald Buss de Souza, também participou da reunião desta quarta-feira.

 

Tatyana Vendramini
 
     
 
     
 
       
 
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