11/02/2020
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CPMI ouve ex-funcionário de empresa investigada por fraudes na campanha de 2018

Dinho Souto   
 

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News ouviu, nesta quarta-feira (11), o ex-funcionário da empresa de marketing digital Yacows – investigada por fraudes na campanha eleitoral de 2018 – Hans River.  O depoente entrou com processo contra a empresa alegando falta de pagamento de horas extras e entregou à Justiça do Trabalho documentos que detalham como funcionou a execução do disparo de mensagens em massa pelo whatsapp.

Na oitiva, Hans River afirmou que supervisores da empresa compartilharam uma lista com mais de dez mil nomes e CPFs de idosos sem a autorização deles para cadastrar em mais de 500 chips de celular destinados ao disparo de mensagens em massa. A afirmação de River foi classificada pela relatora do colegiado, deputada Lídice da Mata (PSB-BA), como gravíssima.

Quando questionado pela relatora sobre quem contratou e financiou os serviços da empresa, o depoente citou o Partido dos Trabalhadores (PT). “Eles tinham uma forte ligação com o PT que fazia um baita pagamento. Quando o Lula foi preso, eu já estava trabalhando lá há duas semanas e ouvi falarem nos corredores sobre esse pagamento.” Dados do processo trabalhista de Hans mostra que ele entrou na empresa em agosto de 2018, mas o ex-presidente Lula foi preso em abril deste mesmo ano.

As contradições do depoente foram destacadas por parlamentares presentes. Durante a audiência, por exemplo, Hans afirmou primeiro que também era disponibilizado chips internacionais, depois disse que não tinham chips internacionais e em seguida voltou a dizer que tinham. O colegiado já aprovou convocação da empresa Yacows que deve ser ouvida em breve. Para a relatora, o depoente teve diversas incoerências. “Comprovada a mentira, podemos indicar o seu indiciamento, uma abertura de inquérito, porque mentir na CPMI é crime”, acrescentou. Ao final de suas perguntas a Hans, a socialista o alertou se estava ciente de que outras pessoas seriam ouvidas para negar ou reafirmar o que ele disse durante a audiência.

No final de 2018, a Folha de São Paulo publicou extensa matéria sobre o processo de Hans contra a empresa Yacows e a ligação dela com a produtora AM4, contratada pela campanha do presidente Bolsonaro. A publicação destacou que falou diversas vezes com Hans River que confirmou na época que dados utilizados sem autorização eram parte importante do esquema para favorecer campanhas, mas não se referiu a nenhum candidato específico. No entanto, durante o depoimento, ele negou que tenha entrado nesse assunto com a jornalista da Folha, Patrícia Campos Mello. Durante a oitiva, a jornalista divulgou em seu twitter que publicará em breve reportagens com vídeos, fotos, áudios, planilhas e troca de mensagens de Hans River.

 

Andrea Leal
 
     
 
     
 
       
 
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