29/06/2020
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Alessandro Molon demonstra preocupação com o funcionamento das mídias sociais

   
 

O líder do PSB na Câmara, Alessandro Molon (RJ), participou, nesta segunda-feira (29), do Pense Brasil Virtual, que abordou o tema Mídias e Comunicação como Vetores de Governança e Cidadania: Regulação e Socialização. Promovido pela Fundação João Mangabeira (FJM), o debate teve como moderador o presidente da instituição, Ricardo Coutinho, e contou com a participação do jornalista Luis Nassif e da coordenadora do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, Bia Barbosa. 
 
Molon chamou a atenção para um fato: a mudança na confiabilidade da fonte de informação fruto dessa pandemia. De acordo com ele, os meios de comunicação tradicionais voltaram a ser a principal fonte de informação dos brasileiros. “Eu acho que essa é uma boa notícia. Com todos os problemas que a mídia tradicional têm, com todo o viés, nós vimos o que foi há dois anos a principal fonte de informação serem as redes sociais”, disse, ao se referir ao WhatsApp como um meio que influenciou no resultado das eleições. 
 
O socialista acredita que a maneira como as redes sociais funcionam hoje pode ser uma ameaça à democracia, pois elas criam uma percepção do mundo que não corresponde a realidade, além da tendência de dificultar a construção de consensos. “O algoritmo promove o dissenso, cresce com o dissenso, com as bolhas, com a polarização, com a dificuldade de conversar de quem pensa diferente. É assim que funciona”, explicou. 
 
Outra preocupação demonstrada pelo parlamentar é a forma de resolver essa situação, por que legislar sobre esse tema, o funcionamento das mídias sociais, não é uma coisa simples. Segundo o líder do PSB, ninguém sabe ainda como tratar a “desinformação” do ponto de vista legislativo. Ele citou como o exemplo a França, que acabou de fazer uma lei a esse respeito, mas ainda cercada de cuidados. 
 
Luis Nassif explicou que as redes sociais surgiram no Brasil em meio a um caos, onde a mídia refletia o enfraquecimento geral da política e das referências jurídicas e assim começaram a explorar as Fake News.  “Todo esse discurso de ódio de fake News veio através da grande imprensa. Vem a Lava Jato, cria as suas redes sociais, alimentando essas redes com informações que vazavam diariamente, até que essa rede ganha vida própria, se associa ao bolsonarismo e esse pessoal ganha autonomia”, disse. 
 
Nesse contexto, segundo o jornalista, o WhatsApp passa a ser a forma de disseminação da informação. A imprensa, então, passa a lutar para voltar a ser referência e para isso começa a defender algumas ideias civilizatórias. “Isso acontece no momento em que todas as instituições estão arrebentadas e querendo juntar as forças para enfrentar a barbárie.”
 
Bia Barbosa pontuou que a Internet no Brasil é um mecanismo fundamental de exercício da liberdade de expressão. Sem a revolução digital não seria possível, por exemplo, manter diálogos relevantes e necessários, ainda mais nesse contexto de pandemia. “Não sei como estaríamos vivendo se a gente não tivesse a Internet para conectar as pessoas, não só do ponto de vista da comunicação, mas também para trabalhar, estudar, desenvolver as mais diferentes atividades que essa revolução digital permite”, explicou. 
 
No entanto, ela destacou que é importante entender em que contexto as redes sociais e a Internet se inserem na sociedade capitalista atual. A especialista explicou que a Internet nasceu como uma rede completamente descentralizada, mas hoje, essa descentralização, diversidade e pluralidade que estavam na origem da rede, estão cada vez mais controladas. “São os novos monopólios digitais. Se estamos discutindo a revolução digital, a gente precisa entender que essa revolução não aconteceu para 30% da população brasileira”, criticou. 

Moreno Nobre
 
     
 
     
 
       
 
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