Projeto de Lídice vira lei e Adhemar da Silva vai para livro de heróis da pátria

O presidente Lula sancionou, nesta quinta-feira (11), a Lei 14.575/23 que inscreve o nome de Adhemar Ferreira da Silva no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. A iniciativa foi da deputada Lídice da Mata (PSB-BA).

Adhemar foi o primeiro atleta brasileiro a conquistar a medalha de ouro olímpica na modalidade de atletismo, em 1952, e a ser bicampeão olímpico na mesma modalidade. O atleta foi ainda pentacampeão sul-americano, tricampeão pan-americano e dez vezes campeão brasileiro, tendo mais de 40 títulos e troféus internacionais.

Adhemar é o único brasileiro a estar representado no Hall da Fama no salão da Federação Internacional de Atletismo. Além disso, o atleta foi agraciado pelo COB, em 2000, com o Mérito Olímpico. Para Lídice, a trajetória de Adhemar Ferreira da Silva faz por merecer que ele tenha o nome inscrito no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. “O Livro homenageia a liberdade, a democracia e todos os homens e mulheres que se sacrificaram para garantir a autonomia e o engrandecimento da nação nos episódios históricos. O esporte é parte fundamental da construção de qualquer nação”, justificou a socialista.

O livro, feito com páginas de aço, está localizado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, em Brasília, Distrito Federal.

História

Adhemar Ferreira da Silva iniciou sua carreira no atletismo aos 18 anos. A primeira competição que venceu e o consagrou no salto triplo foi o Troféu Brasil, em 1947. A sua primeira experiência olímpica aconteceu nas Olimpíadas de Londres, onde terminou na 14ª colocação.

Em 1949, se tornou recordista sul-americano da modalidade, superando a marca que já durava 25 anos. Em 1951, conquistou seu primeiro título pan-americano. Em 1955, nos Jogos Pan-Americanos realizados no México, obteve sua melhor marca, que permaneceu imbatível por cinco anos.

Adhemar Ferreira da Silva revolucionou o salto triplo, direcionando sua atenção para o segundo salto, até então apenas um impulso para o terceiro, e foi muito superior aos concorrentes durante anos. Os saltos de Adhemar inauguraram a mitológica tradição brasileira nas provas de salto triplo. Depois dele, surgiram Nelson Prudêncio, prata na Cidade do México (1968) e bronze em Munique (1972); João Carlos de Oliveira, o João do Pulo, bronze nos Jogos Olímpicos de Montreal (1976) e Moscou (1980) e ex-recordista mundial, e Jadel Gregório, atual recordista brasileiro e sulamericano.

Além de seu destaque no atletismo, o homenageado foi Adido Cultural na Embaixada Brasileira em Lagos, Nigéria, entre 1964 e 1967. Ainda se aventurou no mundo das artes, sendo ator na peça Orfeu da Conceição (1956), de Vinicius de Moraes, e no filme franco-italiano Orfeu do Carnaval (1962), que venceu o Oscar de melhor filme estrangeiro. O atleta terminou a vida trabalhando para o Estado de São Paulo, onde organizou competições nacionais e internacionais de Atletismo. Adhemar faleceu no dia 12 de janeiro de 2001, por parada cardíaca.